Saúde prevê gasto de R$ 15 milhões com dengue até abril em Ribeirão.

Valor inclui remédios, internações, exames e contratação de equipe médica para atender os pacientes

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F.L. Piton / A Cidade
UPA da 13 de Maio estava lotada de pacientes com suspeita de dengue na manhã desta terça-feira








A Prefeitura de Ribeirão Preto prevê um gasto adicional em saúde de R$ 15,7 milhões até abril devido a epidemia de dengue na cidade. Os valores incluem despesas com medicamentos, reforço na equipe médica e criação do polo da dengue, além de internações.

Além disso, o Palácio Rio Branco estima gastar mais R$ 4,7 milhões para reforçar as ações de combate aos criadouros do Aedes aegypti, como limpeza de bocas de lodo.

Em crise financeira, a prefeitura assume ser "evidente que os recursos previstos no orçamento são insuficientes" e divulgou nesta terça-feira (2) ter feito um pedido de socorro de R$ 20 milhões aos governos Federal e Estadual. Ambos alegaram que não receberam nenhum ofício do Palácio Rio Branco.

O montante que será gasto com a dengue equivale aos orçamento somado das secretarias de Esportes e Meio Ambiente.

"Seria mais eficiente e econômico ter alocado recursos para ações preventivas de combate aos criadouros, mas agora que houve o agravamento da epidemia a prioridade da prefeitura deve ser prestar o atendimento à Saúde", explica o professor da USP e especialista em gestão pública João Luiz Passador.

Ele ressalta que, se não conseguir financiamento externo, a prefeitura terá que fazer cortes em projetos de outras áreas. "Há uma deficiência de gestão. O município deveria ter um fundo de reserva para essas emergências, e a dengue tem, constantemente, picos epidêmicos. Faltou planejamento", diz.

A aposentada Neuza Dizerto Lelis, 74 anos, sentiu na pele a falta as falhas de planejamento após esperar, segundo ela, mais de cinco horas por atendimento na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) no último dia 30. Com dores de cabeça, ela retornou à unidade nesta terça.

Sem resposta

Apesar de prever um gasto de R$ 2,2 milhões com internações clínicas e de UTI relacionadas à dengue até abril, a prefeitura não respondeu ao A Cidade o número de internados em janeiro e fevereiro pela doença. Também não disse quanto estava previsto para ser gasto com a doença este ano antes de a epidemia eclodir nem quando os pedidos recursos ao Estado e União foram formalizados.

Polo deve funcionar após o Carnaval

Apesar de apontar uma previsão de gasto R$ 226,7 mil em janeiro com o polo de tratamento da dengue, ele só deverá começar a atender na segunda quinzena deste mês, segundo a Saúde.

O polo vai funcionar 24 horas ao dia na UBDS (Unidade Básica Distrital de Saúde) do Castelo Branco Novo, na zona Leste com o objetivo de desafogar as unidades de prontoatendimento. Serão contratados 20 médicos emergencialistas.

Enquanto o polo não sai do papel, o cenário das unidades de saúde é caótico. Na manhã desta terça, o A Cidade visitou a UPA da 13 de Maio e a UBDS Central. As duas unidades estavam lotadas de pacientes e a maioria com queixa de sintomas da dengue. Os doentes têm esperado em média, três horas para passar pelo médico. Segundo a Saúde, no mês passado foram realizadas 78 mil consultas de prontoatendimento, 17 mil a mais que em janeiro de 2015.

De acordo com a pasta, 60% dos atendimentos são de suspeita de dengue e, em média, 40 casos da doença são confirmados ao dia. Questionada, a prefeitura não informou como foi gasta a verba já aplicada no polo da dengue.

Espera por atendimento chega a 8 horas

A dona de casa Mônica Borges, 29 anos, é apenas uma de uma dezena que reclamou da demora por atendimento na UPA e na UBDS Central na manhã desta terça.

A paciente diz que na segunda-feira permaneceu oito horas na UPA aguardando atendimento. "Estava com febre, dor de cabeça e coceira. Cheguei às 10h e fui embora às 18h. Já estava debilitada e ainda tomei um chá de cadeira".

A infectologista Nancy Cristina Junqueira Bellei, da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que o ideal é que os pacientes com dengue sejam atendidos o mais rápido possível. "Se a pessoa está com febre acima de 37,8º há mais de 24 horas deve procurar atendimento médico, mas se ficar horas sentada esperando pode desidratar na sala de espera."

Segundo Nancy, quem tiver suspeita de dengue deve ingerir de quatro a seis litros de líquido por dia para impedir que o quadro da doença se agrave.

Atenção, emergencistas!

A Prefeitura de Ribeirão Preto está convocando, em caráter imediato, médicos emergencialistas para trabalhar no polo de dengue na UBDS do Castelo Branco Novo. A contratação será feita por meio de processo seletivo realizado pela Fundação Santa Lydia. Interessados devem entrar em contato com a Darlene ou a Lubiana pelo telefone (16) 3605-4848.