RACISMO: Coletivo Negro pede ação de Promotor na USP de Ribeirão Preto

Coletivo Negro pede ação de Promotor na USP de Ribeirão Preto - Grupo quer que MP obrigue estudantes de medicina a participar de palestras contra racismo e outros preconceitos

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Estudantes do Coletivo Negro da USP de Ribeirão Preto entregaram nesta sexta-feira (5) ao promotor da cidadania Sebastião Sérgio da Silveira uma representação contra as manifestações racistas feitas por parte da Atlética da Medicina da USP de Ribeirão.

No documento, os alunos compilaram as canções machistas, sexistas, racistas e homofóbicas. O grupo também pede que o Ministério Público investigue a conduta dos estudantes da medicina nos dois casos de estupro que teriam ocorrido recentemente na universidade.

Entre as reivindicações do coletivo estão a exigência de que os alunos da medicina participem de atividades fora da comunidade do campus, que eles atendam em hospitais do SUS e que assistam a palestras e aulas contra racismo e outros preconceitos.

Audiência
O promotor ouviu o grupo com representantes de diferentes entidades civis e concordou com os apontamentos pelo Coletivo Negro. “As faculdades particulares hoje têm disciplinas raciais e étnicas, para que os alunos entendam as diferenças culturais e raciais. Isso precisa ser transversal no programa pedagógico delas que é fiscalizado pelo Mec. O mesmo deveria existir na USP”, diz Silveira.

Ele afirmou que vai analisar todos os pedidos para decidir o que pode ser feito. Ele cogitou a possibilidade de realizar uma audiência pública com os integrantes da bateria da Atlética.

Bateria pediu desculpas por ofensa em hino

No mês passado, o Coletivo Negro fez um protesto na universidade logo depois que a letra do hino do curso foi distribuída para os calouros da medicina. O hino tem expressões como “morena gostosa”, “loirinha bunduda” e “preta imunda”.

Para o coletivo, não foi só um insulto às mulheres negras ou brancas, mas a homossexuais e a diferença como um todo.

Na ocasião da denúncia, a bateria se manifestou, pedindo desculpas e argumentando que o hino existe há muitos anos e foi passado aos alunos “por descuido”.

A Faculdade de Medicina também se manifestou, e afirmou desconhecer a letra. “Este material não é de conhecimento da direção da Faculdade na totalidade, mas nota-se que pelo menos uma das músicas tem letra ofensiva a todo ser humano, e às mulheres de todas as raças”.