Medicamentos dentro do prazo de validade vão parar em aterro controlado

Equipamentos de uso médico também foram encontrados junto aos remédios


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Medicamentos ainda dentro do prazo de validade foram encontrados no aterro controlado de Cambuí, no Sul de Minas. Alguns só venceriam em 2015. Além dos remédios, também foram jogados fora aparelhos usados pelos médicos, como tesouras e bisturi cirúrgicos, máscaras, estetoscópios e até um aferidor de pressão arterial. Nas notas fiscais que estavam junto aos produtos, é possível identificar o nome da Prefeitura de Bom Repouso. O material encontrado estava dentro de caixas e de sacos de lixo.

Segundo testemunhas, um caminhão caçamba da Prefeitura de Bom Repouso teria aproveitado o horário do almoço do vigia do aterro sanitário e jogado o lixo hospitalar no local. A Polícia Militar do Meio Ambiente registrou um boletim de ocorrência. Nas embalagens, a maioria de amostras grátis, estão impressos nomes como o da Funed (Fundação Ezequiel Dias), que fabrica medicamentos para a distribuição em hospitais públicos de Minas Gerais. Nas caixas também estavam a identificação da prefeitura.

A Prefeitura de Cambuí agora aguarda uma decisão da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) para saber qual destino dará ao material. De acordo com a Polícia do Meio Ambiente de Camanducaia, é preciso um laudo técnico para verificar se o material depositado no aterro oferece riscos de contaminação. Segundo a polícia, a Prefeitura de Bom Repouso já foi notificada e deve retirar o material ainda nesta quinta-feira (26).

Explicações

Em nota, o prefeito Edmilson Andrade, de Bom Repouso, diz que recebe os medicamentos todos os meses de uma instituição israelita de São Paulo para serem doados às pessoas carentes. Segundo ele, os medicamentos são separados, pois alguns se encontram vencidos ou próximos da data de vencimento. Segundo o prefeito, os que estão vencidos são devolvidos, mas por engano, algumas caixas de medicamentos dentro do prazo de validade foram carregadas junto com os vencidos. Ainda conforme o prefeito, o descarte dos medicamentos é de total responsabilidade de um intermediador, chamado Sandro Márcio, responsável pelo transporte dos medicamentos da instituição israelita, em São Paulo, até Bom Repouso e Senador Amaral.

Por telefone, Sandro disse que contrata motoristas que levam os remédios e recolhem os que já estão vencidos para serem incinerados. Segundo ele, um motorista novo fez o serviço na quarta-feira (25). Ao chegar na prefeitura, foi pedido a ele que levasse também outros lixos, que eram caixas de medicamentos vazias e que jogasse essas caixas no aterro sanitário. De acordo com Sandro, o profissional acabou se confundindo e jogou todos os medicamentos no lixão.

A Superintendência Regional de Saúde de Pouso Alegre, que responde por Bom Repouso, afirmou que aguarda o relatório do município para descobrir quem cometeu a infração de não destinar corretamente os medicamentos e resíduos hospitalares, de acordo com a resolução da Anvisa. O coordenador municipal da Vigilância Sanitária, em Pouso Alegre, Régis Kérsul, disse que o estabelecimento responsável está sujeito a punições, que variam de advertência a interdição.
 


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