LAN e TAM formam maior aérea da América do Sul, dizem empresas

Brasileira e chilena anunciaram acordo de fusão nesta sexta


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A fusão entre a brasileira TAM e a chilena LAN, anunciada no fim da tarde desta sexta-feira (13), deverá criar a maior companhia aérea da América do Sul, segundo estimativa divulgada pelas duas empresas.

"Latam (companhia resultante da fusão) será um campeão latinoamericano", afirmou o presidente da TAM, Libano Barroso.

A conclusão do negócio depende da aprovação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e dos órgãos brasileiros de defesa da concorrência, segundo comunicado da TAM.

Em apresentação divulgada no recém-criado site da Latam, a nova empresa projeta capacidade de 46 milhões de assentos, o que faria da nova companhia a maior da América Latina. Nessa comparação, a empresa seria seguida pela Avianca, na segunda posição, e pela brasileira Gol.

O especialista em reestruturações e diretor da consultoria Naxentia, Vincent Baron, diz que a aérea que resultará da fusão será a maior da América do Sul tanto em número de frota, destinos ofertados e volume de passageiros atendidos. "Será a maior empresa aérea da América do Sul", afirmou o especialista ao G1.

Na lista das maiores empresas do mundo em valor de receita, a nova empresa deve ocupar a 15ª posição, com receita somada de quase US$ 9 bilhões.

De acordo com cálculo feito pelo especialista Vincent Baron, o valor total da transação entre as duas companhias é de US$ 3,7 bilhões em troca de ações.

Ainda conforme os dados divulgados pela companhia com base em números de 2009, a companhia terá 46 milhões de passageiros, ocupando a 11ª posição entre as companhias aéreas do mundo nessa comparação.

" A TAM é a maior da região e a LAN mantém-se como a mais bem administrada e inovadora por aqui. Combinadas as duas podem oferecer uma maior presença juntas. A TAM possui uma boa posição de caixa e de market share dentro do Brasil', disse o analista do setor de transportes da Planner Corretora, Brian Moretti.

Consumidor e acionistas
Para Baron, o negócio deve resultar em aumento na diversidade de rotas para o consumidor brasileiro, o que será positivo. Além disso, para os acionistas da TAM também há benefícios: a nova companhia será a primeira no mercado latino, que lidera o crescimento do setor aéreo global.

Atualmente, LAN Airlines e suas filiais lideram os mercados domésticos de Chile e Peru, além de possuir importante presença nas rotas nacionais da Argentina, o que se soma a um ano de operação no Equador.

"Se você colocar o total de lucro das empresas aéreas do mundo nos úlitimos anos, o único mercado que teve ganhos positivos dois anos subseqüentes foram as companhias aéreas da America Latina. Na América do Norte, na Europa houve um ano de perda e uma recuperação recente. Porém o mercado que mais cresce é o da América do Sul", diz o especialista.

O mercado reagiu positivamente ao anúncio: as ações preferenciais da TAM na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fecharam o pregão com alta de 30,18%, cotadas a R$ 36,9

Na opinião de Baron, foi o desejo de crescer internacionalmente que motivou a TAM a buscar a fusão com a chilena.

"A TAM hoje é a empresa no Brasil que tem maior número de destinos internacionais e o mercado interno é muito competitivo. Para se consolidar internacionalmente é uma coisa que demora muito, as linhas que saem do Brasil já estão abertas, então tem que buscar parcerias com empresas internacionais para ter rotas complementares", afirmou.

As duas empresas, de acordo com o especialista, terão um impasse a resolver: optar pela Star Alliance, aliança de companhias aéreas da qual a TAM faz parte, e a One World, da qual fazem parte a LAN e mais 11 companhias, entre elas a American Airlines, a British Airways, a espanhola Iberia, a Japan Airlines e a australiana Qantas.

"Provavelmente uma das duas vai sair da aliança dela. É uma coisa complexa, porque o grande negócio dessa alianças é ver quais são as sinergias entre as rotas que a empresa já têm e as que se complementam com as rotas da aliança. Então provavelmente vai ter uma revisão para ver em qual das duas elas vão ficar", disse Baron.

Outro ponto que pode ser obstáculo à conclusão da operação é a lei que limita em 20% a presença de capital estrangeiro em empresas aéreas brasileiras.

“Eu acho que certamente vamos ter algum problema de aprovação regulatória com as leis brasileiras e chilenas em uma operação como essa, pela questão de controle estrangeiro. Eu acho que tem o risco em relação à execução da fusão”, diz Brian Moretti, da Planner.

(Com informações da Efe)


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