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Sem alunos, 400 vagas gratuitas em cursos técnicos sobram nas escolas

Estado e municípío divergem quanto ao nº de matriculados. Cotip deixa de abrir turma por falta de interessados.

25/01/2012 - 08:02

ViaEPTV.com - Suzana Amyuni

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Das 1.100 vagas de cursos técnicos gratuitos disponibilizadas pelo Estado de São Paulo para Piracicaba, no interior de São Paulo, 400 não foram ocupadas por falta de alunos. Em algumas instituições, há cursos que não serão abertos porque não houve número de inscritos suficientes para formar uma turma. Prefeitura e Secretaria da Educação do Estado divergem quanto aos dados de matriculados. Com a baixa procura, a cidade deixa de receber R$ 1,2 milhão. O prazo de inscrição já foi encerrado. 

Os cursos têm nível médio e são oferecidos por meio da Rede de Ensino Médio Técnico (Retec). A pasta estadual informou que o programa abriu vagas na cidade para os cursos de meio ambiente, eletroeletrônica, eletrônica, mecânica, mecatrônica, administração, comércio, contabilidade, finanças, logística, qualidade, redes de computadores e técnico em plástico.

Eles são direcionados gratuitamente para matriculados na segunda série do ensino médio das escolas estaduais, em quatro instituições na cidade credenciadas pela Secretaria da Educação: Escolas Técnicas do Brasil (ETB) - Unidade Enfermap, Cotip/Fumep (Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba), Senai Mário Henrique Simonsen e Colégio PoliBrasil.

“O curso é totalmente prático e inclui até visitas a feiras e indústrias. Ele não só abre portas para o mercado de trabalho, como também proporciona uma inserção mais dinâmica nesse meio. Por isso é tão importante que o aluno frequente até o final”, afirma o diretor geral do Colégio PoliBrasil, Luiz André Filho.

O colégio terá, entre seus alunos regulares e cursos disponibilizados, 273 matriculados pelo projeto. Serão 133 estudantes no curso de administração, 80 em logística, 32 em redes de computadores e 28 em contabilidade.

Divergência
Questionada sobre os possíveis motivos desse desestímulo para os cursos técnicos de nível médio, a Secretaria Municipal de Trabalho e Renda (Semtre) de Piracicaba nega que o quadro seja negativo ou apresenta falta de alunos. O número total de vagas para os cursos divulgado pela Semtre diverge do número informado pela Secretaria da Educação.

Segundo informações da Semtre, enviadas por nota ao EP Piracicaba, “na fase final de matrículas, 599 alunos foram efetivamente matriculados para as 632 vagas disponíveis para a cidade”. A secretaria reforçou, ainda, que os dados fornecidos foram enviados pela Diretoria Regional de Ensino de Piracicaba, órgão vinculado à Secretaria de Educação do Estado.

A Secretaria da Educação do Estado informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a baixa procura deve-se à novidade dos cursos, já que esta é a primeira edição no Estado. A secretaria disse ainda que vai analisar esta primeira oferta e verificar se haverá quantidade de vagas compatível para o próximo ano. 

Desperdício
Na Cotip, escola de ensino médio e educação profissional da Fumep, o curso de eletrônica teve apenas seis inscritos e não vai abrir turma, já que eram necessários 40 alunos. “A formação é muito importante para fazer estágio e conseguir um trabalho”, avalia o coordenador técnico do curso citado da instituição, Marcos Joel Leite.

"Os cursos de mecânica, eletrônica e qualidade são voltados para atuação na indústria, na área de manutenção, qualidade e projetos. O interessante é ver a evolução do aluno que se desenvolve muito com o conteúdo educacional. O estímulo à pesquisa e as aulas práticas fazem com que haja o despertar de um interesse maior no aluno”, analisa Leite.

A Cotip oferece, ainda, os cursos técnicos em comércio, finanças, qualidade, administração e mecânica. Segundo a diretora da instituição, Suzana Nobile, se o estudante não tiver feito sua inscrição no final do ano passado, não será possível matricular-se agora de forma gratuita.

Desperdício 2
Segundo informações de duas das instituições credenciadas para oferecer os cursos em Piracicaba, o Governo do Estado de São Paulo disponibilizou uma verba de cerca de R$ 3 mil por aluno matriculado. O valor varia de acordo com o curso escolhido. No total, seriam transferidos, aproximadamente, R$ 3,3 milhões do estado para o município, destinados aos cursos técnicos.

Entretanto, com a baixa procura pelos cursos, Piracicaba deixa de receber R$ 1,2 milhão do estado, referente às 400 vagas que não foram preenchidas. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo não informou o valor que será investido pelo estado no município e também não disse a quantia total prevista no projeto para a cidade.

Na prática
Dos 60 funcionários que trabalham na fábrica da Tecnal, empresa de equipamentos para laboratórios de controles industriais, localizada em Piracicaba, 70% passaram pelo curso técnico de nível médio.

“A formação faz diferença na hora da contratação, porque o aluno já sai com uma boa base do curso. É lógico que cada empresa tem seu ramo, mas se o estagiário ou o funcionário tiver feito o curso, a capacitação para a função acaba sendo facilitada”, justifica o diretor industrial da empresa, José Fernando Carvalho.

Segundo ele, muitos dos engenheiros contratados pela empresa também passaram pelo curso técnico antes da formação superior. Observação que confirma o posicionamento do diretor do Colégio PoliBrasil.

“O curso técnico de nível médio não é um fim em si mesmo, mas um degrau para que o aluno possa definir com mais clareza a área de trabalho em que quer atuar”, observa Filho.

Estado
Nesse primeiro ano do programa, a Secretaria da Educação do Estado ofereceu 30.978 vagas. O modelo foi implantado nos 155 municípios paulistas com mais de 40 mil habitantes que, juntos, somam 1,3 milhão de estudantes matriculados no ensino médio da rede estadual.

O número de vagas por cidade no interior do estado variou de 30 a 1.355, com exceção de São Paulo que contou com 12.854. As instituições foram credenciadas para essa modalidade de educação profissional mediante chamada pública. Se todas as vagas forem preenchidas, o investimento final será de R$ 600 milhões.
 

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