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Prescrição de remédios por farmacêuticos casa polêmica

Decisão vale para medicamentos de 'transtorno menor', como analgésicos e antitérmicos

26/09/2013 - 10:59

Araraquara.com

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Uma resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) autoriza, a partir de agora, que farmacêuticos prescrevam aos pacientes remédios para “transtorno menor”, como analgésicos e antitérmicos, que passam a não precisar mais de prescrição médica.

Esses medicamentos, para dor de cabeça, resfriados, febre e diarreia, por exemplo, já eram comprados livremente nas drogarias de Araraquara.

Com a medida, o cliente poderá passar por uma “consulta” no próprio balcão da farmácia e receber uma receita com a assinatura e o carimbo do farmacêutico responsável.

A medida causou polêmica. O Conselho Federal de Medicina (CFM) informou que vai entrar na Justiça para reverter a decisão e alega que esses profissionais não têm autorização legal para orientar qual medicamento o paciente deve tomar.

Facilidade

Para a farmacêutica Nair Argueles Fernandes, que trabalha em uma drogaria da cidade há 17 anos, a relação das farmácias com os pacientes é mais próxima do que a com os médicos.

“Todos sabem a dificuldade que é marcar uma consulta neste país. A farmácia tem essa facilidade, é a linha de frente. Os farmacêuticos estão habilitados e têm condições para essas prescrições”, afirma.

A profissional acredita que deveria haver união entre farmacêuticos e médicos e ressalta que as pessoas devem fazer uso correto dos remédios, seguindo as orientações.

“Nós temos farmacêuticos idôneos e sérios, que sabem indicar os medicamentos e fazer um bom atendimento”, conclui.

Atenção

A secretária Maria Aparecida Napoleão Vieira, 38 anos, afirma que sempre conversou com farmacêuticos e nunca teve problemas com os medicamentos indicados por esses profissionais.

“Se o problema de saúde é simples, eles me vendem o remédio. Tem farmacêuticos que são melhores que médicos, por nos dar mais atenção. Acho que eles têm a mesma capacidade”, disse à Tribuna, enquanto saía de uma farmácia.

A favor

"O que o farmacêutico quis foi formalizar o que já faz no dia a dia. Medicamentos sem prescrição médica não significa que sejam livres de orientação. Não queremos que o paciente chegue na farmácia e saia comprando, igual gôndola de supermercado, e nem que ele saia misturando remédios.

O farmacêutico entende de medicamentos, pois estudou farmacologia. Então, nada mais justo que ele possa receitar.

Os médicos acham que queremos tomar o lugar deles. Mas só queremos mostrar o nosso papel e atender o cliente, que tem direito a procurar o farmacêutico e não ser enganado por um balconista.
Além disso, a pessoa não tem um médico sempre à disposição, mas tem um farmacêutico disponível 24 horas por dia." - Márcia Regina Terasso Magnani, Diretora do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo - Seccional de Araraquara

Contra

"A legislação que regulamenta a profissão do farmacêutico, em nenhum momento, coloca como atribuição desse profissional a prescrição de medicamentos.

Cabe ao médico a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças. Nenhuma outra categoria profissional brasileira tem essa previsão legal, cabendo apenas ao médico fazer o diagnóstico nosológico (de doenças) e indicar o tratamento, se necessário.

O CFM entende que, apesar de aparentemente simples, uma dor de cabeça pode ser sintoma de um problema mais grave, como um acidente vascular cerebral. Portanto, é mais seguro, então, que esse paciente seja atendido por um médico, e não por um profissional que pode conhecer tudo da composição química dos remédios, mas não foi preparado para diagnosticar doenças." - Nota do Conselho Federal de Medicina (CFM)

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