EPNoticia.com

Comentário(s) - 0

Oncologista realiza estudo de custos para tratamento de câncer

André Sasse avaliou a relação custo-benefício dos procedimentos atuais para o câncer intestinal avançado na realidade brasileira

28/07/2012 - 14:57

Da redação

Alterar o tamanho da letra A+A-

O oncologista André Sasse, coordenador do Centro de Evidências em Oncologia da Unicamp (Cevon) e do Instituto do Radium, de Campinas, realizou um estudo, em conjunto com uma aluna de doutorado, para avaliar a relação custo-benefício de todos os possíveis tratamentos atuais para o câncer intestinal avançado na realidade brasileira. O resultado foi apresentado no 14 º Congresso Mundial de Câncer Gastrointestinal, em Barcelona, na Espanha, realizado em junho.

A intenção do estudo é buscar uma maneira mais eficiente de utilizar recursos públicos e ao mesmo tempo proporcionar acesso às novas tecnologias aos pacientes tratados no sistema público de saúde.

Para realizar o estudo, Sasse não avaliou pacientes diretamente. “Fizemos um modelo para avaliação de custo-efetividade (chamado modelo de Markov) utilizando dados da literatura mundial, de estudos randomizados publicados previamente, combinados com dados do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil, via Unicamp”, explica.

Os dados devem ser apresentados para a Secretaria Estadual de Saúde do Estado de São Paulo (SES), para indicar a aplicação mais racional dos recursos, já que os medicamentos para esse tipo de câncer são fornecidos gratuitamente. “Do ponto de vista público, todos são caros, mas apresentamos uma forma de direcionar a política em saúde no Brasil de maneira mais eficaz, para abranger mais pacientes”, explica Sasse.

O médico destaca que os custos em medicina têm aumentado drasticamente nos últimos anos. “A área da saúde é uma das únicas em que o avanço tecnológico não está associado a um acesso mais fácil à população. Em oncologia, o problema é ainda maior. Novas drogas quimioterápicas são lançadas com uma velocidade muito grande, mas com benefícios muitas vezes questionáveis”, diz.

Sasse afirma que as atuais pesquisas apenas ganham meses no controle da doença. “Não estamos chegando perto da cura. O acesso no Brasil é limitado a quem paga por planos de saúde. E o governo é criticado por não fornecer os tratamentos mais modernos via Sistema Único de Saúde. Mas o custo disso para a sociedade pode ser questionável, e devemos sempre avaliar a equação custo-efetividade de novos tratamentos, antes de os oferecermos gratuitamente à população”, completa.

Em conjunto, os dois autores sugerem que seria mais interessante iniciar o tratamento no SUS com quimioterapia apenas, sem as drogas-alvo, nos casos de câncer em primeira e segunda linhas – etapas em que verifica-se a resistência do tumor. Somente na chamada terceira linha (que seria a terceira fase) entrar com o uso de um anticorpo monoclonal – o cetuximabe.

Para Sasse, é imprescindível ressaltar essa metodologia de tratamento, porque mesmo quando o paciente consegue acesso aos novos medicamentos no sistema público de saúde, muitas vezes a quimioterapia tradicional e as terapias-alvo são aplicadas ao mesmo tempo, o que aumenta substancialmente os custos e não traz benefícios significativos ao paciente. Em alguns casos, ressalta ele, pode até ser prejudicial, aumentando efeitos colaterais e diminuindo as chances de controle da doença.
 

Interatividade

Boné Terra da Gente
Boné Terra da Gente