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O Ministério Público confirmou nesta sexta-feira (15) que uma das empresas investigadas pela Promotoria de Justiça de Campinas sobre denúncias de supostas fraudes em contratos fechados pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) está a transportadora Solução Transporte e Logística Ltda. Em consulta ao site da Junta Comercial do estado de São Paulo, a EPTV constatou que a empresa pertence à esposa do prefeito de Campinas, Roseli Nassim Jorge Santos. Ela não declarou ser sócia-proprietária da Solução Transporte e Logística Ltda na declaração de bens publicada no Diário Oficial do dia 25 de abril de 2009, um ano e meio após a fundação da empresa.
A transportadora fica no entroncamento das rodovias Anhanguera e D. Pedro I e também oferece serviços especializados como monitoramento e seguro. No site da Junta Comercial do estado de São Paulo, o registro da Solução Transporte e Logística existe desde 2007 e foi constituída com capital de R$ 60 mil. A primeira-dama é sócia majoritária da empresa, com 70% do valor. Na declaração de bens um ano e meio após a fundação, Roseli Nassim informou possuir terreno, imóveis comerciais e residenciais, joias, mas não fez referência ao fato de ser dona da transportadora.
A primeira-dama foi convocada para depor no Ministério Público na próxima terça-feira (19) e deverá explicar porque não declarou ser proprietária da empresa. Os promotores não deram mais informações sobre as investigações do caso, de qual a ligação da Solução com as possíveis fraudes na Sanasa.
Em nota divulgada pela Sanasa, a empresa Solução Transporte e Logística jamais prestou qualquer serviço à mesma, não tendo nenhuma relação comercial com referida empresa.
Desconhecimento
Na tarde desta sexta-feira (15), o secretário municipal de Comunicação, Francisco de Lagos, disse que não conhece a empresa do ramo de transportes e que também não sabia que a Solução Transporte e Logística estaria sendo investigada pelo Ministério Público. Roseli Nassim, que também é secretária-chefe de Gabinete da prefeitura, está na China na comitiva da presidente Dilma Rousseff.
Depoimentos
O secretário de Segurança Pública de Campinas, Carlos Henrique Pinto, também prestou depoimento aos promotores nesta sexta-feira. Ele afirmou que estava na qualidade de testemunha e que não houve irregularidade no processo de contratações, mas reconheceu que o MP tem mais informações que o município para as investigações.
Já o ex-diretor do Departamento de Urbanismo de Campinas, Ricardo Candia, que deveria prestar depoimento na tarde desta sexta-feira, não compareceu à sede do MP. Em fax enviado aos promotores, ele disse que precisou se ausentar por problemas de doença em família.
As investigações começaram a partir de denúncias do MP em setembro de 2010. Uma operação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Corregedoria da Polícia Civil apreendeu carros e motos de luxo. Na época, oito suspeitos de participar em fraudes de licitações foram presos. O esquema envolveria prefeituras e órgãos públicos em várias regiões do país, num prejuízo de R$ 615 milhões aos cofres públicos, segundo a denúncia feita pelo MP.
Entre os presos estavam dois lobistas campineiros que, segundo as investigações, pagavam propina a políticos e fizeram acordos com empresas concorrentes para combinar preços. A Sanasa foi apontada como um dos principais contratantes das empresas investigadas.