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Numa analogia à cena teatral infantil: a APTC (Associação dos Produtores de Teatro de Campinas) em parceria com o Instituto de Cultura Artística do Estado de São Paulo deseja transformar sapo em príncipe. Trocando por miúdos, trazer nova roupagem (e ampliação) ao Teatro Infantil Carlito Maia, o popular teatro do Bosque dos Jequitibás. Para tanto, uma lei, a nº 13.839, está aprovada e sancionada desde 2010 para amparar o feito. O projeto da nova sala, assinado pelo arquiteto Ronald Tanimoto, está pronto. Aliás, foi apresentado à classe artística na tarde desta quarta-feira (23). Contudo, um detalhe continua em aberto nesta história: a verba para a promoção das obras.
Direto ao ponto: a obra total de ampliação e reforma do teatro está orçada em aproximadamente R$ 210 mil. Porém, faz-se necessário descontar do valor a quantia de 56% pertinente à mão de obra, sob a avaliação do arquiteto. Afinal, de acordo com Rômulo Fernandes, assessor da Secretaria de Serviços Públicos, o encargo ficará aos cuidados do poder público. "Tivemos uma reunião ontem (terça) entre as secretarias de Serviços Públicos, Infraestrutura e Cultura em que conhecemos o projeto. Disponibilizaremos os funcionários para a obra", destaca Fernandes. A obra, prevista para iniciar em abril de 2011, tem o prazo máximo de 120 dias para ser finalizada. Portanto, uma previsão de entrega para julho do ano que vem. Parênteses: a autorização da liberação da mão de obra deve sair na semana que vem.
O restante da verba cabe à APTC captar. A largada foi dada. O ator Ton Crivelaro, presidente da entidade artística, confirma a parceria estabelecida com alguns patrocinadores. "Já temos a tinta, o material de encanamento e fiação elétrica", cita o ator. Quanto ao investimento da APTC na reforma, Crivelaro antecipa que existirá durante a obra, mas o valor ainda não foi definido. Bate na tecla dos patrocinadores. "Vamos buscar parceiros, pois não devemos contar apenas com o poder público. Precisamos fazer a nossa parte", explica o ator. Para captar novos mecenas, o ator afirma que haverá uma tabela de preços, organizada pelo arquiteto responsável, dos materiais previstos na obra. "Não há a necessidade de ajudar só com doação de dinheiro. Pode-se contribuir com algum item da lista".
Conforme escreve a lei, que autoriza "o município de Campinas celebrar convênio com a APTC", a administração da sala pronta ficará a cargo do poder público e de tal entidade. Sendo assim, "metade da agenda do teatro terá a participação de grupos afiliados à APTC e a outra quem escolherá será algum representante da secretaria de Cultura", esclarece Crivelaro. Detalhe: a lei, apresentada na Câmara Municipal de Campinas pelo vereador Dário Saad, foi aprovada em unanimidade. Interrogado a respeito das reformas de teatro em Campinas, num paralelo ao Teatro Castro Mendes (em obras desde 2007), o vereador prefere não compará-las. "Não vamos contar apenas com o apoio do poder público e a nossa obra não é de milhões. A quiantia é viável", avalia Saadi.
Nova sala
Em estado delicado de precariedade, o atual Teatro do Bosque terá uma ampliação de 84 metros quadrados. Soma-se à área nova, a reforma do restante: 124 metros. Para começar, o espaço ganhará um foyer, todo em vidro. Proposital. "Estamos numa área ambiental. Ela será a decoração do lugar", resume Tanimoto. A área, que ainda deve comportar uma pequena galeria de arte, também será equipada de dois banheiros, já adaptados para espectadores com deficiência. A plateia, destinada a receber 115 crianças, passará a ter assentos exclusivos para espectadores obesos e com deficiência.
Os artistas também terão regalias. Para começar, a cabine até então minúscula destinada à técnica (operação de som e luz) muda de lugar, tomando proporções maiores. Abaixo dela, um espaço será destinado ao depósito do cenário. "Esse é um grande problema atual. As companhias não têm onde armazená-los de uma sessão e outra", lembra Crivelaro. A acústica e o calor da sala estão entre as grandes preocupações da reforma. "Usaremos telhas específicas de isolamento acústico com um reforço de isolante de gesso acartonado. Além de abertura para ventilação, indico a compra de ar-condicionado", completa o arquiteto.
