Como está o tempo hoje

Temperatura

Máx 25º

Min 15º

Fechar [X]

[Comunicado]
A partir de 10/02/2012 os sites de Notícia do EPTV.COM e EPs
passam a integrar o portal de notícias G1/GLOBO.
Com isto nossos novos endereços para notícias serão:



Para acessar os demais sites de entretenimento como
o TERRA DA GENTE e CAMINHOS DA ROÇA clique no botão fechar acima e selecione o link desejado.

Comentário(s) - 0

Compositor campineiro tem peça executada pela Sinfônica da USP

"Das Vozes Esquecidas", de Marco Padilha, foi apresentada na Sala São Paulo

18/08/2011 - 19:34

Fabiana de Paula

Alterar o tamanho da letra A+A-

Considerado um dos compositores de maior destaque na música erudita contemporânea brasileira, o campineiro Marco Padilha teve uma de suas obras executadas pela Orquestra Sinfônica da USP (OSUSP) no sábado (20) na Sala São Paulo. Divida em três movimentos, a sinfonia concertante “Das Vozes Esquecidas” para oboé, fagote, cordas e percussão, é um manifesto contra a exclusão em todas as suas formas. “A peça faz referências aos soldados convocados para uma guerra injusta, aos excluídos pela opção sexual, pela situação política e, ironicamente inclui o compositor de música erudita, que de certa forma é mais um excluído no Brasil”, explica Padilha.

Há 23 anos no comando do programa “Intermezzo”, atualmente transmitido aos domingos pela rádio Educativa FM, de Campinas, o compositor tenta aproximar público e música erudita, seja por meio das peças que compõe, ou nos encontros semanais com os ouvintes, explicando as origens das composições, trabalho que desenvolve desde os tempos em que lecionou História da Arte. Segundo Padilha, o programa atinge um público de faixa etária que varia entre 12 e 70 anos. “Não precisa ser elitista para apreciar a música erudita.”

Aluno do pianista e compositor Orlando Fagnani, Padilha começou a estudar piano aos 15 anos depois de ouvir a 5ª Sinfônica de Beethoven em um disco comprado em uma banca de jornal. Ao perceber a inclinação de Padilha para a composição, Fagnani privou o país de um pianista, mas deu início a um trabalho que resultaria em um dos mais reconhecidos compositores da sua geração.

Seus aprendizados seguiram com a pianista Isabel Mourão e o compositor Almeida Prado (1943-2010), considerado um dos expoentes da música erudita no Brasil. Com 23 obras assinadas, Padilha acaba de escrever um concerto para violoncelo e orquestra para Antonio Meneses, com execução mundial prevista para ocorrer em 2012. Em outubro deste ano, o renomado violoncelista interpreta a peça “Invocatio”, também de autoria do compositor, na sala Concert Gebouw, na Holanda, considerado um templo da música erudita no mundo.

Com obras apresentadas na Suíça, EUA, França e Alemanha, o currículo de Padilha revela um compositor que teve reconhecimento no seu meio ainda jovem. Aos 55 anos, o músico se considera um privilegiado e repete com orgulho elogios entoados à sua obra pelo professor Almeida Prado e Yvonne Loriod Messiaen (1924 – 2010), viúva do compositor francês Olivier Messiaen (1908 – 1992).

Relações públicas da Coordenadoria de Desenvolvimento Cultural da Unicamp, seu maior desafio talvez seja ampliar a disseminação da música erudita num país que ainda mostra dificuldade para valorizar seus compositores contemporâneos. A falta de interesse pelos veículos de comunicação, assim como a falta de interesse dos empresários em apoiar tais iniciativas são dois fatores apontados pelo compositor, que ressalta o grande número de pessoas que comparecem nas apresentações realizadas recentemente em Paulínia ou pela Sinfônica em Campinas. “Subsidiar uma orquestra é um mecanismo caro. Para um empresário é muito mais fácil jogar uma dupla sertaneja no palco do que uma orquestra com 100 músicos. O que vejo é uma inversão de valores. Os mecanismos de massa não exigem do público. É tudo muito rápido e de fácil absorção. A música erudita necessita de uma atenção maior, diferenciada, precisa de mais tempo do público. Mas será que não é bom cativar o público por outro mecanismo que também vai vender ao invés de privilegiar a cultura de massa?”, indaga. 

Destaque