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Quando chegou o dia de gravação do curta-metragem “3x4”, o campineiro Caue Nunes carregava dois roteiros. A essência era a mesma, mas a dúvida sobre qual texto funcionaria melhor era tamanha que resolveu deixar a decisão pro último momento. O filme, com cinco minutos de duração, é um monólogo encenado por Moacir Ferraz: Silva, o personagem, seria um músico ou um escritor. “Na hora de cantar não funcionava muito bem”, relembra Nunes. Estava tomada a decisão e Ferraz encarnaria um escritor. Um escritor sem ideias, em busca de originalidade.
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Gravado em plano-sequência (sem cortes), “3x4” foi selecionado para participar do Festival de Cinema de Paulínia este ano, na categoria “Curta Regional”: irá competir com outras duas produções em busca do prêmio de R$ 25 mil. Nunes é figura conhecida no festival, já que concorreu também nos anos anteriores, na mesma categoria: com os curtas “Quem será Katlyn” (2009) e “Meu avô e eu” (2010). Com o primeiro, venceu nas em edição, direção e na votação popular: prêmio que se repetiu em 2010.
No exterior
Mas “3x4” alçou o documentarista campineiro para limites além do regional: competiu no Festival Amadis Du Film, em Montpellier, na França. E passará por diversas cidades do mundo, graças a seleção no Cine Fest Brasil, que levará o curta para Nova Iorque, Londres, Buenos Aires, Montevidéu e Vancouver.
O filme dirigido por Caue Nunes (foto), foi escrito em parceria com Maurício de Almeida, com uma produção de modestos R$ 5 mil reais. Além da dupla de roteiristas, envolveu três produtores, um sonoplatista, um compositor musical que fez a música que fecha o curta e um profissional para trabalhar o cenário virtual. “3x4” coloca Moacir Ferraz em frente a um cromaqui (fundo que permite efeitos visuais). Durante os cinco minutos de duração, o personagem cita escritores e outras personalidades que o inspiram, como José Saramago, Paulo Coelho, João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa, Chico Buarque e Albert Einstein.
Pós-produção
Não à toa, a pós-produção do filme levou um tempo consideravelmente maior do que a gravação com Moacir Ferraz: esta levou um dia, e precisou de oito repetições para chegar ao resultado esperado por Nunes. No trabalho posterior, foi necessário “transformar” o rosto do personagem: a cada personalidade que cita, seu rosto se divide em dois, metade é Silva e metade o nome mencionado. O título do filme? Vem do enquadramento, o tempo todo dando a sensação de uma foto 3x4.
Para ajudar com o texto de cinco minutos sem pausa, o ator foi auxiliado por um teleprompter, mas usado com moderação, “pra não ficar uma coisa jornalística”, explica Nunes, que tem conseguido manter a média de uma produção curta-metragem por ano. Formado em jornalismo, o campineiro pensa em um longa, mas sabe que é um trabalho pro futuro: acredita que o prazo realista é de no mínimo cinco anos.
Hoje, suas produções são financiadas com editais de cultura, e quando não é contemplado com o financiamento, produzir torna-se uma incerteza. Além de competir na categoria Curta Regional em Paulínia, foi responsável pela edição de outro filme que estará no festival: “A margem do Xingu”, que concorre com outros documentários.
Serviço:
O Paulínia Festival de Cinema acontece entre 7 e 14 de julho no Theatro Municipal de Paulínia (Av. Prefeito José Lozano de Araújo 1551, fone: 19 - 3933-2140). Entrada franca. Informações: http://www.culturapaulinia.com.br