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Usuários de crack têm preocupado moradores do Jardim Pinheiros, localizado na zona leste de Araraquara. A prática de crimes leves – como pequenos furtos e o consumo da droga durante o dia pelas ruas do bairro – assusta a vizinhança, que já testemunhou ações criminosas destes indivíduos.
O pedreiro Hermano Martins foi um deles. Na noite da última terça-feira (10), ele viu quando os bandidos estouraram o portão de uma casa em reforma onde trabalha para roubar latas de tinta. “Levaram R$ 200 em tinta e depois ofereceram o material no dia seguinte por R$ 50”, diz. “Não são criminosos que vêm para matar, só querem sustentar o vício”, completa.
O consumo acaba sendo incentivado pela ajuda involuntária dos moradores do local. “Sempre pedem algum dinheiro e temos medo de negar e sermos vítima de algum assalto”, conta Francisco Ruiz, proprietário de uma marcenaria no local. “Estão fora de si e o pior é que são meninas muito jovens, com menos de 18 anos.”
Ruiz comenta que elas pedem isqueiros e logo depois devolvem. “Não temos certeza o que fazem quando pedem dinheiro, às vezes têm fome. Mas nesses casos acredito que seja pelo vício, mesmo”.
Ambiente
Além da ajuda dos moradores, que temem os usuários, a região também facilita o consumo de drogas. Segundo a dona de casa Neusa Maria Maurício, a proximidade com o Parque Ecológico do Basalto e o grande número de terrenos baldios é um dos principais fatores. “Tem muito mato alto por aqui e árvores que ajudam a esconder o consumo”, afirma.
Além desses fatores, há casas abandonadas no local. Em uma delas, a equipe do EP Araraquara encontrou vestígios de latas de cerveja, usadas para o consumo de crack.
Prevenção
De acordo com o secretário de Assistência Social, José Carlos Porsani, ações preventivas serão tomadas no bairro. “Mandaremos uma equipe com assistentes sociais para se aproximar do problema e passaremos a fiscalizar o local com ajuda da polícia e da Guarda Municipal”, afirma.
Segundo ele, as ações deverão alertar os usuários dos riscos com o consumo da droga, além de oferecer soluções. “Não vamos chegar espantando ninguém, vamos oferecer auxílio a essas pessoas”.
Para Porsani, a situação deve ser resolvida com a inauguração de um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) entre o Jardim Pinheiros e o Parque São Paulo, previsto para ser inaugurado em março. “A melhor maneira de combater esse problema é cuidando não só do usuário, mas dando suporte para a família”, diz o secretário.
