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Museu é irregular e descartou discos sem avaliação técnica

Espaço sequer poderia ser chamado de "museu", diz Conselho de Museologia

10/11/2011 - 16:15

Da redação

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O Museu da Imagem e Som de Araraquara (MIS) – responsável pelo descarte em um lixão de mais de 50 discos de vinil e baquelite na semana passada – não possui registro no Conselho Regional de Museologia (Corem) e sequer poderia manter o título de “museu”.

Além disso, segundo o Corem, o descarte de peças do acervo só poderia ser feito mediante a avaliação de um museólogo – profissional do qual o MIS também não dispõe.

Segundo a presidente do Corem, Ana Silvia Bloise, a denúncia do envio de discos para um aterro sanitário é inusitada para ela, que tem 30 anos de experiência nessa área. “Nunca ouvi nada parecido”, disse.

Ana disse que não é possível classificar o caso de Araraquara como crime, pois tal situação sequer está prevista no Código do Conselho Internacional de Museus.

A representante do Corem explica, porém, que o fato de os discos terem sido considerados irrecuperáveis compromete a credibilidade do MIS, que deveria zelar pelas peças. “Pode parecer que não houve cuidado adequado com o acervo”.

“Por isso que o ideal é ter uma comissão para analisar o material a ser descartado e fotografar tudo. Para jogar fora um disco de vinil, por exemplo, seria necessário ter um relatório assinado pelo museólogo e o gestor do museu”.

Museu

Segundo o Corem, para ser efetivamente um “museu”, o MIS deveria ter um plano museológico com equipe técnica qualificada e uma série de regras de cadastramento de material, armazenamento e manutenção.

Em 2009, foi promulgado um decreto que cria o estatuto dos museus brasileiros, que só entra em vigor em 2013. Este é o prazo limite para que os espaços hoje chamados de museus se adaptem.

Outro lado

Responsável pelo MIS de Araraquara, a gerente pedagógico-cultural Virginia de Gobbi confirmou que o espaço não está devidamente cadastrado, mas afirmou que o processo de regularização está em andamento.

Ela também admitiu que não existem museólogo e técnicos no MIS e que o descarte dos discos não foi realizado por profissionais habilitados. “Eu insisto que o material era inservível e uma parte foi fotografada. Mas, infelizmente, a funcionária não fez exatamente todo o procedimento”.

Virgínia disse que o MIS deve adotar uma política de doações para evitar que materiais deteriorados sejam incluídos no acervo. “É preciso ter um critério para aceitar”.

A Prefeitura de Araraquara abriu na quarta-feira (9) uma sindicância para apurar o caso.